Continuação da entrevista que o David Heinemeier Hansson deu a O’Reilly Network.
Parte I, Parte III, Parte IV.
ED: Qual foi a utilização mais surpreendente ou gratificante de Rails que você viu até agora fora da 37signals?
DHH: Tem sido muito gratificante ver o sucesso do 43things.com. A Robot Co-op foi talvez a primeira grande empresa a apostar em Rails logo após o seu lançamento. Eles tiveram uma grande motivação para seu trabalho: ajudar as pessoas a atingirem suas metas de vida. Como alguem pode não amar isso?
E funciona! Eu fui convidado para dar a palestra na OSCON em parte por Nat Torkington ter visto minha lista de metas e notado que uma delas era “fazer uma palestra sobre Rails para mais de 500 pessoas”. Ele entrou em contato e em agosto eu dei uma palestra para uma plateia de 2000 pessoas na OSCON.
Mas em geral, eu estou extremamente encantado em ver que a adoção do Rails tem acontecido tão rapidamente e que atualmente sabemos que existe toda uma economia girando em torno deste framework. Em nossa lista de pessoas trabalhando profissionalmente com Rails, podemos contar mais de 3000 pessoas de mais de 40 países diferentes. Estou continuamente extasiado por isso.
ED: Qual é a sua funcionalidade favorita do Rails?
DHH: Em geral, todas as coisas que ele não faz. Todas as funcionalidades para as quais dissemos não. Todos os ornamentos que não fizemos. Todo os seus 20% de soluções que resolvem 80% dos problemas.
Mais especificamente, eu realmente gosto da nossa linguagem de domínio específico. A beleza de especificar relacionamentos com belongs_to (pertence_a), has_one (tem_um), has_many (tem_muitos) e has_and_belongs_to_many (tem_e_pertence_a_muitos). A facilidade de uso de validações como validates_presence_of :name (validar_a_presença_de :nome).
Sobre Linguagens de Programação
ED: Quando eu vi Rails pela primeira vez, devo admitir que ser um framework para Ruby me fez pensar duas vezes. É uma linguagem incomum. Como você conheceu Ruby?
DHH: Eu comecei o Rails no verão de 2003. 37signals estava para iniciar o desenvolvimento do Basecamp – o que iria finalmente transformar a empresa de uma firma de consultorias para uma desenvolvedora de produtos. Tinhamos trabalhado com PHP por anos e eu tinha tentado o máximo que podia para conseguir um framework reutilizavel que me proporcionaria uma vida mais fácil. E eu na verdade tinha uma versão bem inicial de Rails rodando em PHP naquele tempo, mas eu não estava feliz.
Então cheguei a um daqueles momentos “ame-o ou deixe-o”. Eu entendi que se isso iria ser o trabalho da minha vida, desenvolver aplicações web, eu precisava usar ferramentas que eu amasse, não ferramentas eu eu simplesmente tolerava. Então eu me abri a alternativas.
Então minhas influências conspiraram. Sou um grande fã tanto do Pragmatic Programmers quanto do Martin Fowler, e eu via Ruby sendo comentado constantemente pelos dois lados. E um amigo meu me passou a idéia básica da linguagem e me desafiou a encontrar razões para continuar com PHP.
Então, por um curto período, eu entrei em “modo desculposo” (tradução é um trabalho ingrato rs) e construiu vários argumentos sólidos para rejeitar a mudança. Nós não vamos encontrar programadores que conheçam Ruby para a 37signals, PHP provavelmente tem uma biblioteca maior e melhor, e assim foi. Mas felizmente isso não durou muito pois eu decidi realmente dar uma chance ao Ruby.
Levou um dia para eu dizer: eu realmente gosto disso. Levou uma semana para eu dizer: nunca mais vou voltar a programar em PHP. E levou um mês até que minha proficiência com Ruby me fizesse andar em circulos pensando nas minhas antigas possibilidades com PHP. Foi simplesmente um encaixe poderoso e inacreditável. Ruby se encaixou ao meu cérebro de forma perfeita. Eu comecei a ter muito mais prazer e a fazer muito mais.
Eu entendo que isso faz PHP parecer ruim, mas não é nada disso. Sou grato ao PHP. Ele me iniciou na programação por sua capacidade impressionante de obter resultados de forma imediata. Me serviu muito bem por um longo período. Eu simplesmente cheguei em um ponto que estava fora do que eu considerava doce naquela linguagem e o Ruby provou ser exatamente o que eu precisava para voltar a esse ponto doce novamente.
Parte I, Parte III, Parte IV.

1-01-2007 às 04:53
[...] Ruby on Rails: Entrevista com David Heinemeier Hansson – Parte III Continuação da entrevista do David a O’Reilly Network. A parte I pode ser vista neste link e a parte II neste outro link. [...]